Nunca encontrei ninguém completamente incapaz de aprender a desenhar.

John Ruskin, intelectual inglês do século XIX


Pensamos que o Diário Gráfico melhora a nossa observação, faz-nos desenhar mais e o compromisso de colaborar num blogue ainda mais acentua esse facto. A única condição para colaborar neste blogue é usar como suporte um caderno, bloco ou objecto semelhante: o Diário Gráfico.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Minde (de manhã)

Para mim Minde era "aquela vila que se vê da auto-estrada, na zona onde é muito inclinada". Mas eu gosto de conhecer Portugal e os seus recantos (como muitos lhes chamam), por isso não quis perder a oportunidade de visitar Minde no âmbito do encontro dos USKP.


A nossa base era o museu de aguarela Roque Gameiro, localizado na casa que chamam dos Açores idealizada pelo Arq. Raul Lino. O dia encontro começou com uma visita ao pequeno espaço do museu onde, por entre a arte emoldurada de Roque Gameiro, encontrámos também alguns objectos pessoais do artista.



Depois da visita ao museu surgiu a oportunidade de visitar o jardim da casa, muito arranjado, bonito e agradável. Ao chegar de manhã tinha-me apercebido do torreão num dos cantos do jardim e achei que se encaixaria bem no meu caderno, por isso procurei o ângulo que mais me interessava (de preferência que me permitisse ficar ao sol) e lancei-me ao desenho.



Como afinal o sol estava muito forte e eu já estava a arder, antes do encontro para o almoço fui para a parte mais fresca do jardim, que tinha árvores mais altas e dava uns ares de mata. Sentado numa enorme rocha desenhei uma parte da casa que se via por entre a folhagem.
Depois foi tempo de partilha do trabalho matinal e logo de seguida o almoço já merecido depois do trabalho árduo da manhã.

Marrocos II

A cultura aqui é riquíssima, entra nos poros, palpita e, quando damos por nós, perdemos a respiração.
Perdemos a respiração quando ficamos imóveis na estrada entre meia dúzia de motas nos fazem tangente, como punhais amestrados, no trânsito caótico, nos talheres que nem sempre vêem a água dos dias.

Também ficamos em suspense quando, à noite, batemos palmas ao som do aplaude dos contadores de histórias, quando nos convidam para casa para literalmente oferecer um chá, quando somos envolvidos nos pátios milagrosamente frescos e no perfume das especiarias. Marrocos é muito, muito mais do se conta.



Mais do que impressionado, estou cada vez mais admirador da cultura islâmica. No respeito aos idosos, no encontro e no convívio de um povo que, de tanto viver o café e a rua dispensa a televisão - e a tecnologia em geral. Tenho visto menos caixas multibanco até do que na Índia, e os sinais da revolução digital parecem resumir-se de facto ao iphone, esse sim, bastante abundante.

Quanto ao resto, tudo parece ser de uma dignidade, uma dignidade austera que vai desde a franqueza das conversas na rua, do simples regatear com um vendedor, ao pátio florido que está cercado por muros de terra. Aqui a palavra vale, sem desculpas ou prorrogações, sem a hipocrisia do "enganei-me no troco" ou "enganei-me no seu pedido". O que ficou combinado faz-se, nem que Alá tenha de mover uma montanha e o deserto fique verde.


O resto é só habilidade, no contacto franco com os olhos, no maneio da bicicleta com uma só não em plena Medina, serpenteando esquinas empenadas e americanos desajeitados sem um toque ou arranhão. Toda a cidade, até as açoteias talhadas a medida, parece assentar num equilíbrio instável, no estertor das multidões de jovens; tudo cairia por terra à menor brisa, a terra de que são feitas as paredes

No fim do dia, tudo funciona. O sol poe-se, montam-se as tendas na praça Djema-el-fna, pousam no chão encardido os mais mirabolantes artistas de tudo e mais alguma coisa, e só no momento em que as luzes se acendem que percebo quão pobre pode ser a vida humana. Mais pobre ainda quando tudo se tem mas, afinal, a noite foi passada num sofá a olhar para o pequeno ecrã do youtube. Que numa só noite vi, com os meus olhos, acrobacias e gerinconças mais hábeis que qualquer vídeo do youtube poderia ensinar.


A Rua e o Oceano Atlantico

Esta rua não tem casas mas tem placa toponimica, sinais de transito, percurso pedonal e uma grande vista sobre o Oceano Atlantico. Chama-se Rua da Praia Pequena.
No fim de semana que em que o verão parecia ter chegado apanhei esta rapaziada já em trajos de 28 graus. Enfim foi sol de pouca dura.
Leonor Janeiro

O Mundo do Livro

Largo da Trindade

Rua com pessoas e animais

Não há duvida que o tema deste desafio...desafia a nossa imaginação.

Assim, acabei por escolher esta rua (não asfaltada), no meio da vegetação, por onde seguem cavalos e jockeys em direcção ao picadeiro - Quinta da Marinha.
Nesta rua não há casas nem sinais de transito mas ressaltam os verdes e os amarelos que caracterizam o despontar da Pimavera.

Condutas e tubos

Não estava à espera de encontrar esta estranha estrutura,constituída por condutas e tubos,numa área urbana, como é a zona de Alcântara.

Sedum Nussbaumerianum e Aeonium Haworthii

 



Por norma não tenho regras para os cadernos ou para os desenhos. Faço-os como me apetece e pronto. Mas ando a disciplinar-me: ser organizada, desenhar mais, escrever mais, experimentar mais. Ou pelo menos ando a tentar!
E por isso tenho novas regras para este caderno:
1. desenhar uma planta por dia
2. não passar páginas em frente: respeitar cronologicamente a enumeração e a data dos desenhos
3. experimentar diferentes materiais e técnicas de desenho em diversas páginas
4. escrever sempre que possível ou me apetecer
5. descobrir o momento certo para parar o desenho (e talvez para parar a escrita...)
Provavelmente irei acrescentar mais regras ao longo das páginas...

Deambulação

Enquanto esperava que o meu filho acabasse de fazer os trabalhos de casa e de brincar com a Avó deambulei com o olhar e concluí mais um dos meus caderninhos.


(Esferográfica, lápis de cor, marcador de aguarela e datador)                                                                                          |«in situ»|

Quase aí!


Aulas...


... aulas...


 ... e mais aulas!


Mas a Páscoa está quase aí!

quarta-feira, 22 de março de 2017

767 e Linha verde




O pijama gato

Não sei se já viram mas agora existem uns pijamas tipo macacão a imitar animais e super heróis. Um vizinho meu tem um picachu. Mas eu tenho miúdas. Por isso a Rita tem um gato. Mas não é um gato qualquer. É todo cor de rosa. Como esta é altura de testes hoje foi buscar os apontamentos e deitou-se no chão da sala a estudar. Assim deitada parecia mesmo um gato de pelúcia.
Fui buscar o caderno e comecei a desenhar.
Utilizei uma caneta de aparo com tinta solúvel em água. Gosto de pintar com aguarelas depois de desenhar com ela, pela incerteza  criada quando coloco a água. Esta mistura potencialmente catastrófica deixa-me liberto da expectativa de um bom resultado final. Deixo-me ir e pronto.

Verão

Um desenho da Praia dos Salgados.
Muito cedinho. Antes de chegarem as pessoas.

Bem, correndo o risco de não cumprir escrupulosamente o cânone do urban sketcher, por ter feito em casa visto não ter tido tempo suficiente na ilha da Berlenga, aqui deixo mais este treininho em caderno. A Primavera já lá chegou em força... :)
Narcisos na Berlenga (aguarela e posca branca)

Marrocos I


Nos posts seguintes, vou partilhar convosco uma série de desenhos que tinha no baú, desde Outubro do ano passado, quando fui a Marrocos com a família. São esquiços apressados, feitos em trânsito, ou nas auroras em que o som do minarete da mesquita trazia a insónia, como é o caso deste desenho.

Acompanharei também os desenhos com extractos dos relatos escritos que também acompanharam a viagem. Fi-los pelo chat do facebook, por duas razões:
I - Para não deixar a namorada preocupada;
II - Porque a velocidade da ligação à net tornava impossível qualquer conversa em tempo real.
Restou-me apenas o pequeno ecrã do telemóvel para comunicar. Por escrito, tive de resumir as emoções de uma viagem que me marcou.

Workshops e encontro em Portimão

Os Urban Sketchers Algarve convidam-vos a viajar até Portimão, para um fim-de-semana de workshops de deseho e encontro de urban sketchers. Esta iniciativa, apoiada pela CM Portimão e pelo ISMAT, surge no âmbito da III Semana de Reabilitação Urbana de Portimão.

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A Estação do Rossio, com trabalhadores a fazer uma pausa ao sol (Pedro Loureiro)
A mesma vista, detalhando a arquitectura dos edifícios ao redor (Pedro Alves)

Segue o programa para o fim-de-semana:

Workshop

Sábado dia 25 de Março
Local de encontro - ISMAT
Manhã- 10h
Almoço Livre
Tarde – 15h

Narrativas da arquitectura e das pessoas que a vivem
Compor uma narrativa focada num ambiente construído, e no ponto de vista das pessoas que o experienciam.
Workshop de duas partes - manhã e tarde - onde se irão explorar diferentes abordagens ao desenho livre de arquitectura, ambientes urbanos e das pessoas que os experimentam e os vivem.

Formadores
Pedro Alves
Pedro Loureiro

Inscrição gratuita e obrigatória: ISMAT - id@ismat.pt

Encontro Urban Sketchers Algarve

Domingo dia 26 de Março
Manhã - Ponto de encontro no TEMPO - Teatro Municipal de Portimão - 10h - desenhar Portimão
Almoço – “Porta Velha”
Tarde - desenhar Portimão, partilha e encerramento.

Para sabermos o numero de pessoas a participar no almoço, a inscrição é obrigatória, enviando um email para urbansketchersalgarve@gmail.com

Bons desenhos!


Bolo de iogurte

Este era o bolo da minha infância, que fazíamos para o lanche das nossas tardes de domingo. Havia sempre uma grande luta entre eu e os meus irmãos para arrebanhar a massa crua da taça, uma grande gulodice :D. Fi-lo no Domingo para um lanche de dia do pai.

Casa dos Açores | Minde


Menízias do Ninhou

Rua das tecedeiras e atelier de tecelagem

Na Gulbenkian


Ninhou - Minde




Pormenor de uma das portas da Casa Museu Roque Gameiro em Minde.